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Fonte: Pau e Prosa Comunicação A imersão à iniciativa do Conselho Federal de Psicologia (CFP) proporcionou que psicólogos e estudantes discutissem a atuação dos profissionais voltada ao trânsito, desde o processo de obtenção de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e avaliação psicológica, entre outras práticas.
Para a presidente do Conselho Regional de Psicologia da 18ª região de Mato Grosso (CRP 18/MT), Maria Aparecida de Amorim Fernandes, o momento foi oportuno para despertar um olhar diferenciado às práticas já existentes. “O profissional deve parar e olhar para o fazer”, afirmou. “Assim é possível que os psicólogos que atuam nessa área repensem as atividades que exercem, buscando alternativas para melhor qualificá-las”. Segundo a presidente, a contínua discussão sobre o tema é válida, especialmente diante das mudanças no trânsito decorrentes das obras da Copa -2014. “São situações que certamente afetam o condutor e nós, psicólogos, temos que estar atentos quanto à viabilidade real de se autorizar a presença desses motoristas nas ruas”.
A palestra “Psicologia do trânsito no Brasil e no mundo”, ministrada por Renan Junior, do Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso do Sul – 14ª Região (CRP 14/MS), permitiu que os presentes fossem contextualizados sobre os registros históricos dessa prática entre os psicólogos. “Somente conhecendo o que já foi feito é que podemos avaliar se o modelo que existe é o ideal e as discussões sobre o tema em muito podem contribuir com a adoção de mudanças”, avaliou.
Na sequência, a professora universitária de Universidade Federal do Ceará Campus Sobral (UFCE), Gislene Maia de Macêdo, tratou sobre “Mobilidade Urbana, Políticas Públicas e Novas Práticas”. “Precisamos compreender que o exercício do psicólogo do trânsito vai além da aplicação das avaliações psicológicas”, lembrou. “É preciso considerar, por exemplo, as implicações que a mobilidade provoca nas pessoas e os reflexos disso na relação com o outro especialmente em um mundo movido pelo ‘tempo é dinheiro’”, pondera. Dessa forma, a palestrante ressaltou a importância dos próprios psicólogos refletirem sobre as lacunas que podem ser preenchidas na área do trânsito.
Estendendo as discussões apontadas do ano temático da avaliação psicológica, a palestra e “Avaliação Psicológica no Contexto do Trânsito”, ministrada por Marlene Alves da Silva, professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), retomou as inquietações ligadas a esse procedimento. “Não podemos desconsiderar a avaliação como uma ferramenta técnico-científica que colabora com o processo de permissão aos candidatos a condutores”, disse. “No entanto, o que temos que refletir é sobre a eficiência dessa normativa, aplicada em todo território brasileiro sem levar em consideração, por exemplo, ao contexto no qual esses condutores estão inseridos”, provocou à reflexão. A palestrante resgatou as legislações que normatizam a atuação do psicólogo do trânsito, a exemplo das resoluções nº 007/2009 e nº 009/2011 do próprio CFP e revelou o andamento de estudos sobre a possibilidade de se estabelecer testes regionalizados. “O momento é de avaliar o processo e verificar novas possibilidades às situações apresentadas.”
Para a coordenadora do evento, conselheira Mirvana Spinola Barbosa, que também responde pela Comissão de Mobilidade Urbana e Trânsito do CRP 18/MT, a iniciativa, com a presença de profissionais renomados, garante a democratização das discussões em todo o país. “É um momento muito rico, pois discutimos desde a eficiência da avaliação psicológica até a participação na consolidação de políticas públicas voltadas ao trânsito”, pontuou. “A partir desse momento, uma carta de intenções será redigida apontando, na visão dos psicólogos, como as instituições públicas e privadas podem contribuir para um trânsito menos violento já que não podemos desconsiderar o indivíduo dentro de um contexto. Essa iniciativa reflete o anseio que os profissionais da Psicologia possuem de ampliar e colaborar com essa área de atuação”, completou.
O evento ainda contou com a presença dos inspetores da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Alessandro Barbosa Dorileo e Antonio Cefulo Neto, que mostraram aos presentes a importância da prudência no trânsito por meio de vídeos educacionais. “Não tenho dúvidas que a psicologia em muito contribui para elevarmos a consciência dos condutores”, pontuou inspetor Alessandro.
Representando o presidente do Departamento Nacional de Trânsito em Mato Grosso, Teodoro Moreira Lopes, a conselheira do Conselho Estadual de Trânsito (Cetran), Maria Auxiliadora Santiago Uhde, reconheceu o papel dos psicólogos no processo de construção de um trânsito mais eficiente, desde a obtenção de CNH por parte dos condutores até a extensão de atividades visando a educação e conscientização no trânsito. “É perceptível a preocupação dos psicólogos e o crescimento da sua participação nesse processo”
Debates - A participação de estudantes nas discussões foi evidenciada pelo coordenador do curso de Psicologia do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), Luiz Guilherme Araújo Gomes, que também é vice-presidente do CRP 18/MT.
“É um momento muito positivo e produtivo já que oportuniza que esses estudantes, como futuros psicólogos, estejam interados das inquietudes dessa área de atuação e possam contribuir com as mudanças propostas por aqueles que já estão no mercado”.
E essa inquietação sobre a atuação dos profissionais dessa área foi o que levou a estudante do 9ª semestre do curso de Psicologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Patrícia Paiva, a participar das discussões. “Trabalho na área e a eficiência da avaliação psicológica é, por exemplo, alvo de debates. Fiz questão de participar para saber mais sobre a viabilidade desse instrumento.
Enquanto isso, a curiosidade foi determinante para que a estudante do 4º semestre do curso de Psicologia do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag), Milena Uhdre, se inscrevesse no seminário. A gana pelo conhecimento da aplicação da psicologia voltada ao trânsito surgiu após a realização da avaliação psicológica no Detran-MT para retirar a CNH. “Percebi que na grade do meu curso quase não há conteúdo específico voltado à psicologia do trânsito e achei que o seminário pudesse contribuir com mais conhecimento. Estou muito feliz, pois descobri a utilidade do profissional da psicologia em outras áreas além da voltada à avaliação psicológica”.
Não somente estudantes prestigiaram a iniciativa. O psicólogo Vilmar Tiago de Maia não hesitou em percorrer 445 quilômetros, distância entre Cuiabá e Pontes e Lacerda, para participar do evento. “O bom profissional é aquele que está sempre atualizando o seu conhecimento, aproveitando todas as oportunidades que surgem. Discutir a avaliação psicológica é de extrema importância, não só para aqueles que trabalham com a avaliação do candidato a condutor de CNH, mas a todos os psicólogos”.
Apresentação de Trabalhos– O seminário ainda oportunizou que psicólogos apresentassem trabalhos de pesquisa voltados ao trânsito, compartilhando conhecimento sobre o tema. De Rondonópolis, município localizado a 212 km de Cuiabá, a psicóloga Terezinha Mendonça do Carmo mostrou o resultado do estudo “Acidentes de Trânsito e Produção de Sentidos”. Nele, a profissional tratou das consequências psicológicas causadas aos acidentados de trânsito na terceira maior cidade do Estado. “Percebíamos que, ao tratar de um acidentado, o sistema ainda prioriza os traumas físicos, deixando os traumas psicológicos em segundo plano”. O estudo também estendeu ao entendimento do contexto no qual os indivíduos acidentados estão inseridos.
Já de Sinop, cidade distante 500 quilômetros da Capital, a psicóloga Inês Rezende Oliveira Mendes expôs o resultado da pesquisa “O perfil do motorista na perspectiva do condutor”, estudo que permitiu identificar os aspectos psicológicos daqueles quem são os responsáveis em assumir a direção dos veículos na cidade que é considerada polo na região Norte de Mato Grosso. “Conseguimos diagnosticar o que esse condutor pensa e o ele acha necessário para mudar algumas situações”, disse.
Foto: Divulgação
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